A contribuição do Brasil no teatro da COP26

0
627

O Brasil entrou no grupo de mais de 100 países que assinaram nesta última terça-feira, na COP26, em Glasgow, na Escócia, o acordo de redução em 30% das emissões de metano até 2030*. O motivo é que o gás metano é o segundo maior responsável pelo chamado efeito estufa, só perdendo para o dióxido de carbono, o CO2.

O metano, um gás natural, inodoro e incolor, foi descoberto em 1778 pelo químico italiano Alessandro Volta (1745-1827). Ele é um gás que se forma nos pântanos através de fermentação anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio, e ocorre na decomposição de matéria orgânica.

O gado, por se tratar de um animal ruminante, produz metano durante seu processo digestivo; dentro do rúmen, os alimentos são degradados por fermentação realizados por bactérias, protozoários e fungos que vivem dentro dele.

Se a perseguição contra o Brasil não faz sentido do ponto de vista do gás carbônico, quando este contribui apenas com 3% das emissões de CO2, é no metano, no entanto, que ele vira o alvo principal. Segundo a Food and Agriculture Organization (FAO), órgão vinculado à ONU, há mais de 1 bilhão de cabeças de gado no mundo. O Brasil ocupa o primeiro lugar, com cerca de 14,3% desse rebanho. Para piorar, segundo o IPCC, o metano, embora seja o segundo maior responsável pelo efeito estufa, ele aquece mais do que o seu concorrente CO2.

O que ninguém conta é que há um equilíbrio do ponto de vista da emissão de metano pelos animais por uma razão muito simples; o animal come a vegetação e emite metano. Este, por sua vez, é capturado pela vegetação e volta a crescer, compensando aquele montante perdido pelo consumo animal. Assim, não há nenhum sentido falar em produção de metano pelos animais sem considerar o balanço de consumo desse gás pelos vegetais, pois um não vive sem o outro. Não é à toa que a quantidade de metano permaneceu estável nos últimos 20 anos.

Há, no entanto, quem argumente que a quantidade de metano hoje é 2,5 vezes maior do que em anos anteriores à Revolução Industrial (período se usa como base para se analisar o impacto do homem no clima). Como compensação, dados de satélites mostram que a Terra está muito mais verde do que há 20 anos.

A partir de então podemos verificar que este tipo de contabilidade é completamente infundado. Basta lembrar dos animais que já viveram na Terra por muito mais tempo que nós e que obviamente tinham uma capacidade de emissão de metano muito maior do que o gado atual (os dinossauros viveram por mais de 160 milhões de anos ao passo que a era industrial não tem 300 anos de existência) e não foi por causa do seu tamanho e poder de emissão de gases de efeito estufa que o planeta se aqueceu e os extinguiu.

Se já não bastasse tamanho contrassenso, há ainda um outro fato curioso, este astronômico, que põe em dúvida o papel aquecimentista do metano. Em Titã, uma das luas de Saturno, com um diâmetro 50% maior do que a nossa Lua, possui cerca de 5% de metano na parte mais baixa da sua atmosfera, sendo cerca de 95% composto por Nitrogênio. Se os ditos cientistas aqui reclamam do aumento da quantidade de gases de efeito estufa que não chegam a 1% da composição da atmosfera da Terra, alegando com isso um aquecimento catastrófico para a vida na Terra, o que eles podem dizer desse potencial de aquecimento em Titã quando lá a temperatura média lá é cerca de -149°C? Titã não deveria ser muito mais quente se o metano fosse realmente um gás de efeito estufa?

Assim, o Brasil ganha o protagonismo nas pressões para reduzir aquilo que é mais fundamental para a humanidade, a sua segurança alimentar. Não há dúvidas que o objetivo desses críticos passa longe do interesse pela vida humana ou pelo seu bem estar, mas pelo ambicioso motivo de nos explorar em nome da “salvação do planeta Terra”. Como se ele estivesse em perigo, ou pior, como se realmente fôssemos capazes de ajudá-lo.

Ao menos não foi estipulada nenhuma meta específica de redução a ser comprida para cada país. Esse acordo genérico pelo menos nos ajuda a escapar desse comprometimento sem sentido de uma forma mais “ensaboada”, mantendo a preocupação apenas no campo da retórica, como o fazem nesses encontros teatrais os maiores poluidores do planeta, a saber China, EUA e Europa.

*https://www.poder360.com.br/futuro-indicativo/brasil-tera-de-cortar-consumo-de-carne-por-meta-de-acordo-de-reducao-de-metano/)