A Educação Brasileira Tomada de Assalto pelo Desconstrucionismo da Esquerda

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Prof. Dr. Mauro Rosa, da UFRJ

 

 

 

Nos artigos anteriores, falamos d’As raízes e razões da corrupção nas universidades públicas brasileiras, dos usos espúrios dados aos Leilões de bens inservíveis pelas Reitorias e Pró-Reitorias e d’As tentativas de destruição da reputação dos alunos, técnicos e professores que ainda se dedicam seriamente ao ensino e à pesquisa. Estes tópicos, como vimos, desestabilizam política e financeiramente as instituições de ensino, tiram as universidades dos objetivos para os quais foram criadas e afastam-nas da sociedade, fim primeiro de suas existências.   Para este 4º. artigo prometemos falar das fraudes nos concursos públicos para preenchimento de vagas dos docentes. Falaremos dos concursos; mas dois escândalos recentes clamam por uma reflexão de nossa parte: o caso da mãe que denunciou a ideologização de alunos em escola pública da Bahia e o caso do professor que forçou alunos de 11 e 12 anos a darem beijos gays em troca de nota e dinheiro. Este, aliás, é o perfil dos professores quem têm sido aprovados nos concursos públicos para o magistério em nossas escolas. Isto quer dizer que os dois temas deste artigo se interligam: as fraudes nos concursos e a baixa qualidade moral e ética dos professores. Vejamos de que modo podemos demonstrar a vinculação de um aspecto a outro.

Os concursos públicos para vagas docentes em nossas universidades são realizados através de Provas e Títulos. Isto quer dizer que os candidatos são submetidos a determinadas avaliações (as Provas) e são obrigados a apresentar os documentos comprobatórios dos títulos que afirmam ter (os Títulos). A única parte objetiva desse processo é a Prova de Títulos, uma vez que só ela é precedida de um roteiro que atribui pontuação específica a cada título. A universidade normalmente usa parâmetros estabelecidos pela CAPES ou pelo CNPq. Para cada diploma de graduação, cada candidato recebe ½ x, até o limite de dois diplomas, por exemplo; para cada diploma de mestrado, cada candidato recebe 1x, até o limite de dois diplomas, por exemplo; para cada diploma de doutorado, cada candidato recebe 2x, até o limite de um diploma, por exemplo; para cada artigo publicado em revista Qualis A1, cada candidato recebe a nota x; e assim por diante.

Quando a população vê esses critérios tão objetivos, acredita na existência de lisura e seriedade na realização dos concursos.

Aliás, todo o processo de redação de edital, de publicação da lista de candidatos homologados, de publicação da lista com os membros das bancas avaliadoras e de aparente transparência de todo o processo dá um ar de seriedade aos concursos que chega a despertar inveja até em dirigentes das maiores universidades norte-americanas.

Acontece que a Prova de Títulos é a terceira fase do processo e não é eliminatória. É apenas uma etapa classificatória. Antes dessa fase, existe a prova escrita e a prova didática. Na prova escrita, que sempre é uma dissertação sobre um tema sorteado 24 horas antes da prova, os candidatos discorrem a partir da bibliografia proposta pelo edital do concurso. Ora, embora essa etapa pareça subjetiva, a banca faz a correção dessas provas em modo secreto – e a nota é apresentada no dia do sorteio do ponto da Prova Didática (que é a aula que cada candidato dá) -.

Todos nós sabemos que a interpretação de textos tem grande parcela de subjetividade, mesmo quando tratamos de texto dissertativo de caráter científico, uma vez que cada teórico tem sua própria percepção sobre as diversas teorias e autores, assim como os juristas divergem diante das interpretações das leis. Tomemos como exemplo a luta travada hoje em torno do Tratamento Precoce da Covid-19: o tratamento precoce serve para qualquer doença, menos para o Covid-19. Os embates “científicos” são muitos e tentam inclusive criminalizar os médicos que têm salvado milhões de vidas. Sim, são MILHÕES de pessoas salvas contra bem menos de um milhão de pessoas mortas.

Do mesmo modo, um texto brilhantemente bem escrito e bem estruturado e apresentado numa prova de concurso docente costuma ter nota bem inferior que os textos escritos pelo “candidato da vez”. O descaramento é tamanho que muitas vezes o candidato aprovado é namorado do presidente da banca ou ex-orientanda (o) do Chefe de Departamento (que também costuma presidir as bancas de concurso).

Existem casos de cursos criados por antigos professores de uma dada universidade federal que aprovam, em concurso, um departamento inteiro de amigos para formar a equipe de professores daquele departamento.

Os candidatos concorrentes dos “peixes da vez” sabem que não adianta fazer qualquer denúncia ao Ministério Público Federal. Este órgão, quando vê qualquer irregularidade, costuma apenas publicar “recomendações” às universidades, arquivando as denuncias e “passando pano” para as inúmeras fraudes ocorridas nos concursos.

Mas os maiores absurdos ocorrem nas notas das “Provas de Aula”: estas são as provas com “Peso 2”, isto é, com maior pontuação. Quando um candidato brilhante e com excelentes títulos faz uma prova escrita genial e apresenta títulos imbatíveis, o “candidato da vez” vence-o na prova de aula. Afinal, como pedir revisão de uma aula?

Eu mesmo, aprovado em concurso no ano de 2009, participei de oito concursos públicos antes de ser aprovado no nono. Nos oito primeiros, houve fraude. Ninguém denunciou.

É por isso que vemos hoje pessoas pessimamente preparadas ocupando cargos públicos nas universidades sem nenhum mérito. Isto ocorre porque, de 2003 para cá, os critérios sofreram alterações que facilitaram a aprovação dos “cumpanheiros” (sic).

É aqui que ligamos os casos de professores aprovados em concursos — sem o menor mérito — às denúncias dos pais de alunos que cada vez mais se incomodam com os esquemas de difusão de ideologia de esquerda nas escolas de Ensino Fundamental e Médio: os professores dos Ensinos Fundamental e Médio foram preparados única e exclusivamente pelos professores de Federais que não leram outra bibliografia na vida além dos autores da chamada Escola de Frankfurt.

Os autores que advieram dessa escola são essencialmente desconstrucionistas e produzem todo o ambiente para a erotização, para o hedonismo desenfreado existente hoje entre os jovens, para o posicionamento existencialista e materialista que domina a cultura, a arte e a produção intelectual dos nossos dias. Tudo isso contraria as bases do pensamento conservador e põe nossos filhos no caminho contrário a todo o nosso esforço de educá-los com bases éticas e morais sólidas.

Por isso, se quisermos mudar o ambiente dos ensinos escolares de nossos netos, teremos que começar hoje, retomando as rédeas das universidades públicas, que foram criadas pela Igreja Católica na Idade Média e trazidas para o Novo Mundo através das diversas ordens católicas e, a partir do início do Século XX, desenvolvidas também pelas igrejas evangélicas, como importante e respeitada Universidade Mackenzie.

Sem essa retomada, podemos dar adeus às bases do Conservadorismo e da Direita no Brasil. Mais do que eleger Deputados, temos que eleger Reitores conservadores. Só assim teremos ciência voltada exclusivamente ao seu objeto de investigação; só assim teremos universidades deixando de servir a partidos como PT, PSOL e PCdoB para servir à sociedade.