A PONTE DO ABUNÃ

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Você sabia que até 2021 o estado do Acre e uma parte do estado de Rondônia, não eram conectados ao restante do Brasil por via terrestre?

Pois é a pura verdade: até 7 de maio de 2021 não havia ligação rodoviária entre o Brasil e nossa extremidade leste, em que ficam o Acre e parte do estado de Rondônia – em que os relógios marcam 2 horas a menos que os do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Isso porque a BR-364, a única ligação dessa região com o resto do Brasil não era contínua: automóveis, ônibus e caminhões precisavam usar uma balsa para atravessar o rio Madeira. Uma travessia que podia levar de 30m até 30hs em temporada de chuvas. Pois bem: depois da inauguração, pelo Presidente Bolsonaro, da ponte do Abunã, de 1.517m de extensão, agora bastam apenas alguns segundos.

 

A ponte do Abunã resultou de uma emenda parlamentar aprovada em 2009. Seu projeto teve início em 2010, mas a construção dos 1.084m previstos inicialmente começou apenas em 2014 (por desconsiderar as cheias, comuns na região, a estrutura teve que ser elevada e a extensão aumentada em nada menos do que 50%).

 

Se foi dramática a redução do custo (e do tempo) do transporte de mercadorias e pessoas entre Rio Branco e o restante dessa região (que abarca muitos municípios do estado do Amazonas): o preço da travessia com a balsa podia chegar próximo dos R$250 para caminhões com reboque e ônibus. Mas além de reduzir o custo de vida para todos os brasileiros que vivem “do lado de lá” do Madeira, a ponte do Abunã aponta para um benefício ainda mais importante, apesar de pouco comentado: ela aproxima o Brasil não somente dos países centro e norte-andinos como ainda dos mercados asiáticos. Isso por tornar mais acessíveis os portos chilenos e peruanos. o que literalmente cria uma nova rota de comércio entre o centro-oeste brasileiro e a Ásia, dispensando o atual e longo percurso que, via canal do Panamá, exige contornar toda a América do Sul para então acessar os portos de Santos e Paranaguá.

 

Não admira que o presidente Bolsonaro seja idolatrado pelos caminhoneiros e demais motoristas profissionais do nosso país.

 

PS: Um “detalhe” que revela aspectos do Brasil que o governo Bolsonaro quer mudar: com tarifas extorsivas para caminhões e ônibus, consta que a balsa – ou mina-de-ouro- rendia aos seus proprietários incríveis R$ 1 MILHÃO mensais. Um montante tão fabuloso que, se bem distribuído, pode explicar o motivo do “atraso” na construção dessa ponte, em outros governos. Parece até teoria da conspiração, certo? Mas… você sabia que durante a construção da ponte, balsas aparentemente desgovernadas derrubaram pilares ainda em construção?