A versão politicamente correta de Branca de Neve e os Sete Anões

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A Disney disse ao site da revista americana Variety que a próxima versão de “Branca de Neve” fugirá dos “estereótipos da animação original” e mudará a abordagem em relação aos sete anões que ajudam a embalar a história.

“O que vocês estão fazendo? Eu não fiz o bastante para avançar na causa, a partir do meu lugar? Acho que não estou fazendo barulho o suficiente”, completou Dinklage.

 

O ator britânico é portador de acondroplasia, uma forma de nanismo, e ficou famoso por defender a causa e chamar atenção à condição em papéis como Tyrion, de “Game of Thrones”. Seu novo filme “Cyrano”, adapta a clássica peça francesa, transformado o poeta em uma pessoa com nanismo – e Dinklage é cotado para o Oscar pela interpretação.

 

Por isso, os comentários repercutiram e a Disney resolveu se manifestar. Em comunicado oficial aos portais de notícias, o estúdio afirmou ter ciência dos aspectos problemáticos da obra. “Para evitar reforçar esteriótipos da animação original, estamos propondo uma outra abordagem para esses sete personagens, com consultas a membros da comunidade de nanismo”, afirma a nota.

 

Desde 2014, com “Maléfica”, a Disney tem apostado cada vez mais em refazer seus clássicos de animação em versões live action. Porém, as adaptações têm causado polêmicas frequentes.

 

Em 2019, “Dumbo” cortou de seu roteiro os personagens dos corvos que acompanhavam o circo no filme original, considerados caricaturas racistas.

 

Já em 2020, “Mulan” recebeu críticas pela sua abordagem da cultura chinesa.

 

 

O novo “A Branca de Neve e os Sete Anões” ainda não possui data de estreia, mas é esperado para 2023. Além de Rachel Zegler como a personagem principal, Gal Gadot (“Mulher-Maravilha”) foi anunciada como a Rainha Má. A direção fica a cargo de Marc Webb (“500 Dias com Ela” e “O Espetacular Homem-Aranha”).

 

Sem detalhar quais mudanças e adaptações seriam somadas ao roteiro, a gigante do entretenimento disse que a nova leitura do clássico infantil conta com a consultoria de membros da comunidade do nanismo.

O posicionamento da Disney é uma resposta a Peter Dinklage, o Tyrion Lannister de “Game of Thrones”. Em entrevista ao podcast do comediante Marc Maron, o ator elogiou o estúdio pela contratação de Rachel Zegler, jovem de origem colombiana, para o papel principal, mas fez ressalvas à manutenção da história original.

 

“Você é progressista de certa forma [ao contratar Zegler], mas continua com aquela coisa dos sete anões que vivem juntos numa caverna”, protestou.