Crise Energética Global

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Embora os motivos que estão ocasionando uma crise energética global sejam aparentemente os mais diversos, tudo me leva a crer que caminham para uma única verdade: a busca para descarbonização das gerações energéticas. Hoje existe uma narrativa de que precisamos diminuir a emissão de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera. Lembro que na minha juventude, nas aulas de química geral, nossos professores diziam que o gás carbônico, como também é chamado o dióxido de carbono, era o gás da vida. Hoje, tem uma corrente de estudiosos que dizem que precisamos descarbonizar nossas gerações energéticas, por ser um dos fatores do aquecimento global. Entretanto, também existe uma gama de estudiosos que divergem dessa narrativa predominante e nos mostram gráficos, indicando que o dióxido de carbono não tem nenhuma influência sobre o aquecimento do planeta, e ainda afirmam que a Terra entrará em um período de esfriamento – o que será muito ruim para a agricultura. Porém, essa é uma discussão no andar de cima; no entanto, nós, que estamos a nível do mar, pouco podemos contribuir. Particularmente, prefiro entender que, como seres humanos, com nossos vícios e virtudes, pouco podemos interferir nos fenômenos naturais – somos insignificantes diante das forças da natureza. Mas a orientação mundial é descarbonizar o planeta de forma intensa e imediata, e assim muitas medidas estão sendo tomadas nos mais diversos locais do globo terrestre. No continente europeu foi programada de forma açodada a transição para a “energia verde”. Tomando como exemplo a Alemanha, maior produto interno bruto do continente, nos últimos anos, por pressão do Governo, inclusive com participação do judiciário, houve um subinvestimento nas gerações tradicionais e foi privilegiado um investimento maciço na energia gerada pelos ventos (a eólica) e na solar (a fotovoltaica), sendo seguida pelos demais países do bloco europeu. Ocorreu que o cenário energético do continente piorou muito, houve uma sensível queda na produção dos campos eólicos – abaixo das previsões mais pessimistas. A produção dos campos do mar do Norte foi pífia, obrigando a reativação das usinas fósseis a carvão, óleo e gás. Ocasionou um grande consumo de gás natural, que também é utilizado para o aquecimento de prédios, jogando o preço desta commodities para as alturas. O resultado obtido pelo açodamento da transição para a energia verde – que de fato é o futuro -, trouxe de volta as práticas do passado e alguns governos estão orientando a população a aquecer seus domicílios com velas e a se acostumarem a cozinhar sem a eletricidade. No continente asiático, que é extremamente dependente da energia do carvão termal, ocorreu uma tentativa de iniciar uma descarbonização do setor energético, paralisando algumas termelétricas a carvão mineral, os reflexos foram frustrantes. Tomando-se como exemplo a China, maior produto interno bruto do continente, ao tentar reativar suas minas de carvão termal, encontrou um obstáculo devido ao fenômeno “La Niña” no Oceano Pacífico que aumentou a quantidade de chuvas no continente asiático e a maioria de suas minas ficaram inundadas; para complicar ainda mais, a Austrália, para cumprir o protocolo do clima, se negou a exportar seu carvão mineral para a China – isso gerou até um descompasso em suas relações comerciais. No continente sul-americano, vamos analisar o Brasil, maior produto interno bruto do continente. A crise energética se confunde com a crise hídrica que teve sua origem pela gestão equivocada de nossas Opinião: Crise Energética Global por: Eng. José Maria Mendonça nov/2021 pág.2/2 águas. O motivo foi a criminalização dos reservatórios de acumulação das águas, com argumento de que emitem gases de efeito estufa, predominantemente o metano (CH₄), e com isso passamos a construir somente hidrelétricas a fio d’água, logo, de geração intermitente – isto é, só funcionam nas cheias dos nossos rios; nos tempos de poucas águas, não ajudam o sistema elétrico nacional. Como podemos constatar, a descarbonização, sem entrar no mérito de sua necessidade, foi o que causou esta crise energética global. Na Europa, uma transição para a energia verde, feita de forma açodada; na Ásia, um descompasso entre o que podem e o que tentaram fazer; e na América do Sul, mais pontualmente no Brasil, a prova da falta de firmeza de nossos dirigentes, pois nosso sistema era predominantemente limpo e renovável; logo, podemos resumir a uma palavra: incompetência! Encerro citando a ex-Ministra das Relações Exteriores da Áustria, Dra. Karin Kneissl que assim se manifestou: “Não podemos nos reduzir a importante questão das mudanças climáticas e tornar todos os outros aspectos do meio ambiente, bem como a economia e a vida cotidiana, absolutamente subordinados a ela”.

Eng. José Maria da Costa Mendonça Presidente do Centro das Indústrias do Pará-CIP e Conselheiro do Instituto Intelectos.

Acesse: www.intelectos.org