Ferrovias no Pará

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Convido os amigos formadores de opinião a olharem os mapas ferroviários de 3 países com dimensões continentais como o Brasil – os Estados Unidos da América (EUA), a República Popular da China e a Federação Russa. Podemos observar um emaranhado de ferrovias que se estendem de leste a oeste, de norte a sul, facilitando a mobilidade de cargas e pessoas. Comparando com o brasileiro, constatamos que o nosso débito é vergonhoso, precisamos ajudar os nossos governantes a mudarem o status quo existente. Sabemos todos que a logística de transporte dos norte-americanos é determinante para o sucesso deles no mercado global, uma vez que oferece todas as vantagens para que seus produtos cheguem a preços competitivos nos seus portos exportadores. O Brasil acordou tarde para a necessidade do modal ferroviário. Porém, vem implementando de forma acelerada a chegada de ferrovias aos nossos portos exportadores, o que é extremamente positivo. Estamos vendo políticos lutando para que seus Estados sejam incluídos neste programa, inclusive fazendo acordos de bancada. Entretanto, os parlamentares paraenses estão silentes – não sabemos se este silêncio é estratégico, porém, traz um desconforto e uma preocupação devido à importância do modal ferroviário para o Pará, um Estado de enormes dimensões. Sempre é importante ressaltar que o nosso Estado, pela sua posição geográfica, é a porta de entrada e de saída da Amazônia, com dois corredores logísticos que precisam ser implementados para dar acesso ao nosso porto exportador e ao futuro porto oceânico tão sonhado por nossa Sociedade trabalhadora. O corredor da borda leste, composto de um modal rodoviário parcialmente existente, precisando de restaurações profundas, tal como um acesso digno aos portos e manutenções permanentes. No modal aquaviário, basta a sinalização e pequenas intervenções nos nossos rios navegáveis, consolidando a hidrovia Araguaia/Tocantins, a hidrovia Capim/Guamá, e outras que funcionarão como hidrovias vicinais. Neste momento, é impossível não lembrar da “novela do pedral do Lourenço” – símbolo da não importância de “Brasília” para com a Amazônia. Porém, é imperativo que se construa a ferrovia Água Boa – MT ao porto de Vila do Conde em Barcarena-PA. O Governo do Estado está lutando para viabilizar o trecho interno de Santana do Araguaia/PA a Barcarena/PA. Precisamos fazer uma corrente de apoio ao Governador, contando com a força de todas as correntes políticas, já que é um desejo antigo de nossa Sociedade e, particularmente, de nossas Entidades, cuja ferrovia nominamos de Senador Gabriel Hermes – pelos discursos do então Senador no Parlamento Federal, quando se referia ao vale do Araguaia/Tocantins como o futuro celeiro mundial de alimentos. O corredor da borda oeste, composto pela Rodovia BR-163 e seus ramais, a hidrovia Juruena/Tapajós, precisando ser sinalizada, e uma ferrovia que ligará Sinop/MT a Miritituba/PA, já estudada e estrategicamente denominada de Ferrogrão, pois facilitará a saída da enorme produção agrícola do Centro-Oeste, mas será muito mais que isso, já que permitirá a chegada dos produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, pelos modais hidro ferroviários, ao Sudeste, o grande mercado consumidor nacional, com preços competitivos. O Governo Federal manifestou o desejo de construir essa ferrovia de importância vital para a Amazônia. Nós, Sociedade Civil, juntos com nossos Governos Estaduais, precisamos apoiar o Presidente a realizar esse grande projeto que não é de um, mas de todos os que respeitam a Amazônia. O aparato estatal/ambientalista já se movimenta para evitar que o nosso Governador e o nosso Presidente realizem esses sonhos – que são nossos, amazônidas, e, de forma particular, dos paraenses. Precisamos nos unir, com o objetivo de viabilizar nossa malha ferroviária, pois ganharemos mais rapidamente o direito de usufruir os avanços do mundo globalizado. Aos arautos da teoria do nada fazer, um lembrete, hoje, as ferrovias são classificadas pelos estudiosos, de como proteger o meio ambiente nos avanços civilizatórios que são inevitáveis, como “Corredores Ecológicos”, pois transportam cargas e pessoas de ponta a ponta, ou seja, não têm paradas intermediárias; logo, com mínimas intervenções no território a ser ultrapassado. Por fim, repetimos, temos que estar ao lado do Governador para que possa construir a Ferrovia Senador Gabriel Hermes, e ao lado do Presidente, para que possa ser construída a Ferrogrão. Essas duas obras de engenharia são fundamentais para desconstruirmos o paradoxo de Estado Rico e Povo Pobre.

Engº José Maria da Costa Mendonça Presidente do Centro das Indústrias do Pará-CIP