Ibovespa tem alta e ultrapassa os 113.367 pontos

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Ibovespa encerrou a quinta-feira (10) em alta de 0,81%, aos 113.367,77 pontos, já o terceiro fechamento positivo na semana, sem se abalar com a fala do presidente do Federal Reserve (Fed) de St. Louis, James Bullard, que gostaria de ver uma alta de 100 pontos-base na taxa básica de juros americana até 1º de julho.

Outro destaque do dia foi o bom desempenho puxado por papéis ligados a commodities, com Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) subindo. Os investidores esperam bons resultados para as duas gigantes, que apresentam resultados no fim do mês. Ontem, a petroleira informou que bateu as metas de exploração para 2021, apesar de uma queda ante 2020. Hoje, a mineradora publica seu relatório de produção. As ações ligadas a metais sobem ainda na esteira da alta de 4,3% do minério de ferro no porto de Qingdao, na China. Já o petróleo teve dia de pouca força, com o Brent com viés negativo.

Ajuda também a recuperação do setor financeiro, que subia praticamente em bloco, após dia negativo ontem. O Bradesco, que puxou o desempenho para baixo de ontem após resultados que desapontaram o mercado, tinha hoje alta de quase 1,44% nas ações preferenciais.

O desempenho firme do Ibovespa ocorre a despeito da queda de mais de 1% dos principais índices americanos. O gestor de portfólio da Kilima Asset, Luiz Adriano Martinez, lembra que o movimento não é isolado e que o descolamento tem ocorrido desde o início do ano. Tanto que, em 2022, o principal índice Bovespa acumula alta de 8,15%, enquanto Dow Jones e S&P500 têm, respectivamente, queda de 3,02% e 5,50%.

“Se fizer uma análise um pouco mais longa, de como estão os setores da bolsa nesse ano, são energia, materiais básicos e setor financeiro (que estão puxando o Ibovespa). É relativamente comum, quando começa esse ciclo de aperto monetário global, os papéis que são mais orientados para crescimento de lucro sofrerem mais e papéis de valor, que não dependem muito de crescimento de lucro para performar, se valorizarem”, aponta, destacando que a bolsa brasileira é particularmente concentrada nesse tipo de papel, com impacto forte de ações ligadas a materiais básicos.

O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, lembra que há uma expectativa pela demanda chinesa – o que afeta países produtores de commodities -, uma vez que a China, na contramão do resto do mundo, está disposta a estimular a economia fiscal e monetariamente para garantir uma estabilização do crescimento. “Você vê investidores indo não só em Brasil, mas em outros emergentes. Dow Jones chegou no ponto mais alto, o investidor realiza e vai pro mercado tentando aumentar rentabilidade no curto prazo”, pontua.

Ele lembra, contudo, que o Brasil ainda tem muitos riscos, o que muitas vezes traz um recurso não perene para o País. “Ainda temos risco elevado, fiscal, estamos em ano de eleição. Ao mesmo tempo que vem rápido, esse capital é de saída rápida. Se investidor achar que chegou num patamar que pode realizar, vai sair. Esse ano vai ser marcado por esse movimento de volatilidade para cima e para baixo”, completa. Para ele, a bolsa deve continuar nessa trajetória ao menos até romper uma barreira entre os 114 mil e 116 mil, que traria realização de lucros.

Cenário de Nova York

Os mercados acionários de Nova York tiveram pregão negativo, nesta quinta-feira, 10, com os índices renovando mínimas na reta final do dia. O fato de que a inflação ao consumidor dos Estados Unidos veio acima da expectativa reforçou apostas de elevação de juros, o que tende a pressionar os papéis. O Dow Jones chegou a reduzir perdas e oscilar em leve alta, mas por fim o quadro de baixas prevaleceu.

O índice Dow Jones fechou em queda de 1,47%, em 35.241,59 pontos, o S&P 500 recuou 1,81%, a 4.504,08 pontos, e o Nasdaq caiu 2,10%, a 14.185,64 pontos.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,6% em janeiro ante dezembro, com alta anual de 7,5%. Os números vieram acima do esperado e ampliaram apostas de aperto monetário nos EUA. Segundo monitoramento do CME Group, aumentaram as apostas de alta de 50 pontos-base nos juros já em março – até ontem a expectativa majoritária era de elevação de 25 pontos-base. Vários bancos e consultorias, como o Citi, passaram a prever maior aperto monetário após o dado.

dólar à vista fechou em alta de 0,29%, a R$ 5,2418, depois de oscilar entre R$ 5,1748 e R$ 5,2509.

Os contratos do petróleo fecharam sem sinal único, após uma sessão marcadamente volátil. No radar das mesas de operação, está a movimentação do dólar, que oscila ante suas principais rivais, além de negociações em Viena para retomada do acordo nuclear do Irã. O índice de preços ao consumidor norte-americano e as projeções da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) também tiveram reflexo no mercado.

O barril do petróleo WTI para março fechou em alta de 0,25%, a US$ 89,88, enquanto o do Brent para o mês seguinte caiu 0,15%, a US$ 91,41.

O contrato mais líquido do ouro fechou perto da estabilidade nesta quinta, em sessão marcada pela divulgação do CPI de janeiro nos Estados Unidos. O avanço acima do esperado na leitura apresenta o ouro como um refúgio, mas, por outro lado, aumenta a expectativa por uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed), o que tende a impulsionar o dólar e os rendimentos dos Treasuries, pressionando o metal.

O ouro para abril, contrato mais líquido, fechou em alta de 0,04%, a US$ 1.837,80 por onça-troy.

Os destaques do Ibovespa hoje foram os papéis ligados a commodities, com Vale (VALE3) com alta de 2,69%, Bradespar (BRAP4) subindo 2,42%, 3R Petroleum (RRRP3) avançando 3,07% e Petrobras (PETR3, PETR4) com altas de 1,71% e 1,53%, respectivamente.

Após recuar no fechamento do dia anterior, Bradesco (BBDC3, BBDC4) recuperou parte das perdas, com 0,81% e 1,44%, respectivamente. Além disso, outras do setor bancário subiram, como Itaú (ITUB4), com +1,91%, Santander (SANB11) com avanço de 1,80% e Banco do Brasil (BBAS3) com elevação de 1,10%.

Os papéis de varejo, já há muito tempo descontadas, começaram uma sequência de recuperação nos pregões mais recentes. Via (VIIA3) decolou com +7,43%, assim como Magazine Luiza (MGLU3), com +5,15%, liderando o ranking das maiores altas do dia.

Já as empresas de tecnologia sofreram com os pares estrangeiros, figurando o ranking do campo negativo. Banco Inter (BIDI11) recuou 4,13%, Méliuz (CASH3) perdeu 4,05%, Locaweb (LWSA3) caiu 3,93%. Por fim, refletindo o balanço do 4T21, Suzano (SUZB3) ficou com -3,70%.

Maiores altas do Ibovespa:

Maiores baixas do Ibovespa:

Notícias que movimentaram a bolsa de valores

  • Alpargatas (ALPA4) prepara follow-on de até R$ 2 bilhões, diz site
  • Petrobras (PETR4): ANP decide por R$ 576 milhões a serem pagos por royalties da SIX
  • Embraer (EMBR3) avança em regulação de ‘carro voador’

Alpargatas (ALPA4) prepara follow-on de até R$ 2 bilhões, diz site

Alpargatas (ALPA4) está preparando uma oferta subsequente de ações (follow-on) com o objetivo de captar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, segundo o site Brazil Journal. O anúncio deve ser feito nos próximos dias, após a divulgação dos resultados do 4T21, prevista para esta quinta-feira (10).

A matéria informa que o objetivo da Alpargatas com a captação de recursos é diminuir a alavancagem depois da aquisição de 49,9% da Rothy’s, em dezembro do ano passado. A operação custou US$ 475 milhões (aproximadamente R$ 2,7 bilhões) à dona da Havaianas.

Já no momento da compra, a empresa indicou que faria um follow-on, mas, desde então, as ações da Alpargatas passam por uma sequência de quedas. Com pico de preço em 6 de agosto de 2021, aos R$ 37, no fechamento de ontem o preço estava em R$ 26,84.

Segundo o Brazil Journal, os controladores da companhia devem acompanhar a oferta. São eles:

  • Itaúsa (ITSA4), dono de 86% das ações ON, e
  • Cambuhy Investimentos, dono de 56% do capital total.

A Alpargatas está avaliada em R$ 15 bilhões na Bolsa brasileira.

Petrobras (PETR4): ANP decide por R$ 576 milhões a serem pagos por royalties da SIX

A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta quinta (10) a versão final do acordo com a Petrobras (PETR4) para pagamento de royalties devidos há anos pela produção de petróleo e gás proveniente de xisto na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), da Petrobras, em São Mateus do Sul, no Paraná.

Ao contrário da proposta original, que previa o parcelamento da dívida total em 60 parcelas, a Petrobras terá de pagar 25% do total devido de royalties à vista (R$ 144 milhões) e o restante (R$ 432 milhões) em 60 prestações.

O valor total, de R$ 576 milhoes se referea dezembro de 2012 e será atualizado na ocasião do pagamento, informou o diretor.

“A solução para a controvérsia é requisito fundamental para que eventuais novas empresas deem continuidade à atividade”, explicou Bispo.

SIX faz parte do portfólio de desinvestimentos da Petrobras e foi vendida em novembro do ano passado para a Forbes & Manhattan Resources Inc. (F&M Resources) por US$ 33 milhões.

A resolução terá que ser aprovada ainda pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e a Advocacia Geral da União (AGU).

A Lei do Petróleo (9.478/1997) não menciona a atividade de lavra de xisto betuminoso e a produção de petróleo e gás proveniente de xisto. Com isso, havia dúvida se suas regras valeriam também para os produtos provenientes da lavra e beneficiamento do xisto betuminoso.

Embraer (EMBR3) avança em regulação de ‘carro voador’

Uma das empresas da Embraer (EMBR3), a Eve formalizou processo de obtenção de  certificado para o projeto do eVTOL – modelo popularmente conhecido como ‘carro voador’ – junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Com isso, a Eve oficializa o compromisso de demonstrar cumprimento com os padrões técnicos internacionais e requisitos de aeronavegabilidade obrigatórios para a certificação das aeronaves da Embraer.

Com o apoio da Anac, a Eve dará continuidade às interações com as principais autoridades aeronáuticas estrangeiras, formalizando em breve o processo de validação do certificado de acordo com a sua estratégia global de negócio.

“Do ponto de vista da regulação há muito trabalho a ser feito, não somente em relação à tecnologia da aeronave, mas também na definição de todo ecossistema”, diz Roberto Honorato, superintendente de aeronavegabilidade da Anac.

eVTOL da Eve é uma aeronave de pouso e decolagem vertical totalmente elétrica. De acordo com a Embraer, o modelo, projetado com foco nos usuários, proporcionará um transporte confortável, com baixo ruído e zero emissões de carbono.

“A formalização do processo de certificação do eVTOL é um passo importante para a continuidade das discussões que vêm sendo realizadas entre Eve e ANAC em direção à certificação do veículo para mobilidade urbana”, aponta Luiz Felipe Valentini, diretor de tecnologia da Eve.

Em dezembro do ano passado, a Eve e a Sydney Seaplanes, empresa da Austrália, anunciaram uma parceria para iniciar a implantação de operações de táxi aéreo elétrico na cidade de Sydney, com uma encomenda inicial de 50 aeronaves a ser entregue a partir de 2026.