Mensalão chinês denunciado no Ministério Público

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Verba estrangeira estaria sustentando mídia marrom

Em ofício enviado ao Procurador-Geral da República, Augusto Aras, o Capitão de Mar e Guerra e Fuzileiro Naval da Marinha, Sérgio Ferreira, solicitou investigação criminal para apurar possíveis crimes contra a Constituição Federal através de compra de apoio jornalístico feita por uma ONG chinesa sediada no Brasil.

Na peça, o militar destaca que o assunto é delicado e pede apuração rigorosa.

O oficial elenca como fatos que embasam a denúncia, o lançamento do China Fórum (CF) em 2019, que teria como objetivo divulgar o país oriental no Brasil promovendo intercâmbio entre os dois territórios. O CF estaria, segundo afirma o capitão, repleto de funcionários de alto escalão do governo chinês e refere-se aos mesmos como “agentes do Serviço Chinês“.

Este fórum seria uma plataforma do Centro de Segurança Internacional e Estratégia da Universidade Tsinghua (CISS), instituição de pesquisa e análise de questões de segurança internacional e estratégia, incluindo diplomacia e relações internacionais, governança de segurança global e inteligência artificial.

O objetivo do CISS seria, segundo aponta no texto, fornecer recomendações para problemas de segurança mundial aos formuladores de políticas e aumentar a compreensão da comunidade internacional sobre ideias e políticas da China.

O denunciante afirma que o Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), que se apresenta como uma organização independente e que teria como objetivo promover debates entre os setores público e privado no Brasil, anunciou parceria com o China Fórum e que as primeiras atividades em conjunto foram realizadas nos dias 9 e 10 de junho de 2021, com debates virtuais no Youtube.

A preocupação dos nossos legisladores com um suposto inimigo interno criou no nosso país um ambiente extremamente favorável para a atuação de serviços de inteligência do mundo todo. Espiões de todos os países operam sem cerimônias no território brasileiro, causando prejuízos incalculáveis ao patrimônio nacional“, diz o capitão.

O militar aponta que essa atividade foi promovida pelo presidente do IREE, Walfrido Warde, com a participação de Zhang Lirong, secretário-geral do China Fórum pelo CISS, de Baleia Rossi, presidente nacional do partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Luciana Santos, presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Carlos Lupi, presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Li Junru, ex-vice-reitor da Escola Central do Partido Comunista da China e Zhang Baijia, ex-diretor adjunto do Gabinete de Pesquisa em História do Partido Comunista da China.

O objetivo deste evento, segundo afirma Ferreira, foi cooptar presidentes de vários partidos brasileiros. Ele ressalta que Li Junru e Zhang Baijia são renomados teóricos e pesquisadores do marxismo.

A Organização K

Os elementos acima elencados configuram um fato notório que não passou desapercebido aos olhos atentos do militar, mas ainda não são a denúncia, apenas o cenário que o levou, com base em sutis acontecimentos posteriores à suspeita de que há um “mensalão chinês” custeando a imprensa marrom.

Uma postagem do dia 21 de julho no Twitter do jornalista Leonardo Coutinho, chamou a atenção do oficial, que começou a ligar os pontos.

No texto, o jornalista afirma que a China estaria usando elites latino-americanas para “comprar influência” e que no Brasil existiria a “Organização K” operando entre a embaixada do país oriental e jornalistas, acadêmicos e políticos.

Coutinho também diz que há um lobby instalado negociando interesses de ambos os lados.

A “Organização K” estaria tratando estratégias inclusive com informação privilegiada e distribuição de verbas sob desculpas como premiações e etc.

Na conclusão ele afirma que o país está sendo vendido por um preço muito baixo para gente sem valores.

Acabo de sair de uma apresentação sobre como a China compra influência por meio das elites na América Latina. No que se refere ao Brasil aparece uma tal “Organização K.”, logo abaixo da Embaixada. A partir dela há ramificações para jornalistas, acadêmicos e políticos.

A explicação é a seguinte: lobistas usam seu poder de acesso e relações de amizade para construir pontes e atrair pessoas de interesse que passam a operar para organização em troca de benefícios. Infelizmente, não aparecem nomes. Mas, entendi que todos estão identificados.

A tal organização lida com seus cooptados pelo método de estímulo e resposta. Foram listadas estratégias que incluem informação privilegiada, dinheiro disfarçado de prêmios, bolsas, cachês, viagens e até rega bofes. O #Brasil está sendo vendido barato, por gente barata.

TUITOU COUTINHO EM SEQUÊNCIA.

Anúncios caros surgem

O comandante afirma que após estas notícias identificou diversas propagandas dos veículos chineses Chery, comercializados no Brasil pela CAOA, em jornais de grande circulação como Estadão, Folha de São Paulo, O Globo e Metrópoles.

Segundo o denunciante, a empresa publicou por mais de 4 meses, durante 4 ou 5 dias, 5 a 6 páginas diárias de publicidade nestes veículos.

Ele aponta que em 2020 as vendas da chinesa foram de apenas 22 mil veículos e que a previsão para 2021 era de 36 mil unidades, o que foi noticiado pela imprensa.

Na peça, o capitão indaga: ao custo de publicidade de 45 mil reais por página em grandes jornais, a empresa não tem capacidade financeira para justificar estes investimentos, então, “será que a matriz estrangeira repassa esses valores?

Conforme o oficial afirma, o volume de publicações midiáticas com ataques diuturnos, incessantes e obsessivos ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e seu governo, são notórias ao ponto de se suspeitar de atuação criminosa.

Ele inclui na denúncia, como observação pertinente, uma postagem feita em 5 de agosto no Twitter pelo jornalista Rodrigo Constantino.

MAIS UMA VEZ, em discurso na cerimônia de entrega de medalhas, Bolsonaro fala da ambição pelo poder dos locais e dos INTERNACIONAIS. Tem informação certa aí de que tem regime tirânico operando para derrubá-lo…

DISSE O COMUNICADOR.

Ao final destes apontamentos, o capitão diz que O Globo, a Folha de São Paulo e o Estadão, publicam em média 25 a 30 páginas por semana ao custo médio de 40 mil reais por folha.

Cada jornal recebe em média 1.2 milhão por mês“, a somatória supera 12 milhões por ano para cada veículo, e juntos, apenas estes três veículos estariam recebendo 36 milhões de reais anuais para atacar o governo brasileiro, influenciar a opinião pública e o mercado financeiro, e desestabilizar a democracia no país.

O negócio chama atenção

Além dos já citados fatos acima, também chamou atenção do sociólogo Eduardo Matos de Alencar que no Twitter destacou a propaganda feita especialmente no jornal O Globo, com “dinheiro declarado do regime chinês“, com objetivo de “fazer propaganda oficial“.

O sociólogo se referiu na postagem à matéria publicada em 11 de novembro pela Revista Oeste intitulada “Regime chinês compra duas páginas de propaganda no jornal o Globo.

No texto, o jornalista Dagomir Marquezi afirma que o material foi “pago pela agência Xinhua exalta os feitos do ditador Xi Jinping“.

Marquezi afirma que o conteúdo é publicitário, que são “duas páginas de propaganda paga do ditador Xi Jinping“.

Ele destaca o seguinte trecho do texto veiculado pelo Globo, elogiando a pessoa do mandatário chinês: “um homem de determinação e ação, um homem de pensamentos e sentimentos profundos, um homem que herdou um legado mas ousa inovar, e um homem que tem visão prospectiva e está comprometido a trabalhar incansavelmente”.

Este, entre outros pontos nos quais o compromisso da China com o comunismo é reafirmado sem pudor, são os principais apontamentos do jornalista da Oeste.

No Ministério Público

A notícia crime foi registrada pelo Ministério Público no dia 21 de outubro sob o número 1.16.000.002879/2021-41 e classificada inicialmente como “tentativa contra a soberania do Brasil“, e ficou sob a tutela do procurador federal Igor Nery Figueiredo.

No Portal da Transparência é possível consultar o documento pelo número PR-DF-00100304/2021.

Autor: Ricardo Roveran