O sentimento sem a educação é nada.

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A falta de educação da esquerda é tão nítida que salta aos olhos. Para explicar essa afirmação é preciso aprofundar no que é de mais importante – ou pelo menos é o que eles dizem – para uma pessoas que defende uma pauta de esquerda: a empatia. A empatia é a capacidade psicológica de sentir o que outro sente, portanto, nada mais é do que um sentimento. Mas os sentimentos não podem ser isolados de outros atributos humanos. Sem a razão e o espírito, o individuo acabaria tomando decisões diárias, se valendo somente dos seus sentimentos. O que não é verdade. Um sentimento precisa do apoio da razão, da aprovação dos elementos que somente a razão pode submeter o sentimento ao que é certo ou errado. Com isso, percebemos que, para que haja a empatia, ou um outro sentimento qualquer, primeiramente é preciso ensinar os sentimentos, se valendo da experiencia e das memórias. É na razão dos momentos vividos, naquilo que fora ensinado como certo e errado, que os sentimentos indicarão o correto para atuarmos como seres humanos. Mas, a razão como elemento vivido precisa de referências para que também não seja distorcida da realidade. É nessa intensa busca de encontramos a verdade dos fatos pautados na realidade que encontramos a razão das coisas e de como agiremos diante dos nossos sentimentos. Aí que entra a educação do individuo. Sem a educação apropriada torna-se fácil a distorção da realidade, consequentemente, torna-se turvo ver a verdade seguida da ausência da razão. E essa consciência exata, a razão, não é puramente um cálculo matemático ou um raciocínio lógico, é também saber, é ter senso estético e senso ético. Ou seja, tudo converge para a Educação. E somos tão resilientes nesse sentido, que cedemos, deixamos o nosso orgulho de lado e nos submetemos ao diálogo, ao ato de crescer e se desenvolver intelectualmente para que nos tornemos maduros. E o que tem de mais imaturo do que lideres revolucionários, intelectuais ativistas e militantes de partidos de esquerda? Somente uma criança vazia pronta para receber seu preenchimento educacional pode se “orgulhar” e dizer: – sou imaturo. Se é que existe uma criança com essa consciência com pleno conhecimento da própria ignorância. Se existisse já deixaria a classe dos ignorantes para se tornar super dotada de poderes lógicos, portanto, não seria imatura, mas sim madura. Com isso, chegamos ao cerne da questão: “Nossa! Como a educação é importante!” Podemos afirmar isso? Sim e não. Sim porque realmente a educação leva a outros entendimentos, mas não, porque dependendo da educação que lhe for dada irá levá-lo para um caminho obscuro, caminho esse que está intrinsecamente aprisionando muita gente. E de quem é essa responsabilidade sobre a educação? Eu, pela minha educação, pelos alunos para quem leciono, pela minha família que educo e pelos futuros leitores dessa coluna. Se me culpo pelos maus resultados dessa educação? Claro que não. Sei dividir bem essas responsabilidades e só posso fazer isso porque respondo por mim, e não pelos outros. Como um indivíduo dentro de uma sociedade preciso buscar além do que posso tocar, caso contrário, estaria limitado por uma bolha que não permitiria meu avanço. Dos meus filhos a educação familiar, com bases em princípios e experiencias construindo limitadores do certo e do errado, conseguem na medida do possível, nortear suas vidas. Eles irão segui-las? Não sei. Mas, estarei aqui para orientá-los novamente e, novamente, o quanto for preciso, incansavelmente. Dos meus alunos posso dizer que, não paro de estudar, que esse esforço faço para ilustrar melhor o que meus professores e os autores de livros me ensinaram em palavras rebuscadas. Essa é minha obrigação. Perceba que, em nenhum momento eu cito o Estado como responsável por essas vertentes educacionais, e nem poderia. O Estado é uma ferramenta facilitadora de transferência de conhecimento. O Estado não é pai dessa criança, muito menos o objeto central desse desenvolvimento. Na verdade tudo se resume ao individuo. Enquanto ele, o individuo, necessitar de ajuda, a humanidade floresce em nós e acolheremos quem desejar o conhecimento. Foi assim nas civilizações passadas e sempre será enquanto houver alma, espírito. O Espírito, o único elemento que ainda não havia tecido explicações nesse texto, é a ponte, e unida à razão, atingi-se a educação. É com o espírito que alimentamos a esperança sobre algo e é justamente aí que podemos afirmar que esperança torna-se fé. Confiamos o futuro de nossos filhos à “educação” que Estado oferece justamente por fé, que seguindo esse caminho, irá mudar suas vidas. Me incluo aqui, “farinha do mesmo saco”, porque sou fruto desse mesmo ideal. Quem não é? Passei a vida ouvindo meus pais dizerem que suas realizações estavam em ver seus filhos formados e concursados. Te convido então a concatenar melhor as ideias. O ato de ter empatia sobre alguém, está ligado diretamente a sentimentos, e por termos esse atributo humano, o sentir, seria de extrema irresponsabilidade usá-lo separadamente do espírito e da razão. O espírito nos leva a ter fé sobre as coisas, e que no final, tudo sairá perfeitamente como queremos, porém a razão, não somente a razão lógica, a razão matemática, mas aquela do senso ético e estético poderão nos dá o poder do discernimento entre o bem e o mal, do certo e do errado. No entanto, para que seja atingida essa maturidade, é preciso educar a razão. Uma educação pessoal, solitária e individual para os mais conscientes e uma educação acompanhada para os inconscientes, contudo, não pelo Estado, mas sim pela família, pelos mestres, pela verdade pautada na realidade. Repito: o Estado é somente uma ferramenta de transferência de conhecimento e nada mais que isso. Por isso a afirmação no inicio do texto. A esquerda é desprovida de razão, e não sabe o papel importante que ela exerce, unida ao espírito, para compreender o real significado da falácia por trás da palavra “empatia”, ou seja, captura o significado das palavras para autopromover-se bastião da verdade, da defesa dos pobres, dos mais vulneráveis, das bandeiras identitárias. E como a educação é centralizadora e dominada pelo pensamento de Antônio Gramsci – pauta para outro texto que em breve escreverei – nossas escolas afastam-se da realidade, da esperança, nos deixando à deriva numa triste espera de um futuro incerto. O que precisamos entender é que não dá para separar esses três elementos: sentimento, razão e espírito sem que haja um enorme prejuízo para a sociedade. A educação certa, meritocrática, decentralizada, conteudista, pautada em princípios ocidentais, ligada diretamente a realidade produtiva do país, será responsável por colocar nosso país no rumo certo. Maurício Mesquita Cunha Professor do Instituto Federal do Acre