O suicídio na Segurança Pública mata mais que o crime organizado.

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Era domingo, 17 de outubro, por volta das 11h da manhã, a soldado Jéssica Evangelista, no interior de seu alojamento decide por um fim ao seu sofrimento. Com um disparo da própria arma de fogo, ela se suicidou com um tiro no abdômen, deixando três filhos. Este caso aconteceu na cidade de Barueri, inteirando 4 (quatro) suicídios somente este mês na corporação paulista. Mas este não é um caso isolado: um estudo mostra que no Brasil 104 policiais tiraram a própria vida no ano de 2018, desses, 87 estavam em serviço, como no caso da soldado Jéssica Evangelista.

Alguns casos chamaram mais a tenção, como o do soldado Wesley Soares de Góes, no Farol da Barra, em Salvador-BA, que por conta de problemas internos, atirou nos policiais do BOPE sendo atingido e morto em seguida em praça pública.

Mas o que leva os nossos policiais a uma decisão tão drástica?

Antes de mais nada, é preciso levar em conta o estresse vivido diariamente pelos agentes (no ano de 2020 um total de 176 policiais morreram em decorrência de confrontos em serviço ou em decorrência da função – Instituto Monte Castelo), somado a isso, temos os problemas financeiros, conjugais, más condições de trabalho, o peso da própria responsabilidade e cobranças internas, além do medo de errar, o que acarreta sérios problemas de saúde mental. Existe também a sensação de impotência do policial no Brasil, situação advinda com as “Audiências de Custódia”, não são raros os casos em que o policial participa de uma megaoperação e, no dia seguinte, o criminoso é posto em liberdade logo após a audiência. Outra situação que corrobora com o frágil estado emocional dos policiais brasileiros é o fato do STF ter dado uma “condicional eterna” ao crime organizado do Rio de Janeiro, suspendendo as operações policiais nos morros do estado.

Por fim, a pandemia de coronavírus também contribuiu para esse trágico aumento das mortes policiais em todo o país, uma vez que a segurança pública teve seu trabalho contínuo e reforçado e, muitas vezes, os agentes estiveram expostos à doença e perdendo companheiros de patrulha, impactando ainda mais a sua saúde mental.

Nossa Polícia está doente!

Guilherme Whittaker

Escritor