SuperVia e a ordem

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por Janaína Corrêa em outubro de 2021

Na bilheteria toda envidraçada, a atendente indaga se possuo máscara. Respondo que sim. Como ela não percebe outra atitude de minha parte solicita que eu coloque uma “cobertura facial” por causa das câmeras. Questiono a necessidade se a bilheteria estava vazia e ela totalmente “protegida” de mim. A resposta que obtive é de que ela estava seguindo ordens.
Ordem, palavra mais usada nesse pandemônio. Também faz parte de nossa bandeira. Difícil mesmo é termos uma ordem decente para seguir. A própria Supervia não o faz no espaço que lhe compete. Por exemplo, em seus ramais tem os “Moradores dos trilhos”. Sim, moradores! São usuários de drogas que, há anos, transitam pelos trilhos e aparecem nas estações em busca de qualquer troco ou alimento e com moradia fixa inter muros. Muitos deles são os responsáveis pelo roubo de fios de cobre deixando vários passageiros sem acesso ao trabalho.
Em se falando em muros, muitas estações não são muradas, o que permitiu um loteamento livre.
A Supervia, dentre os transportes públicos carioca, é a segunda tarifa mais cara, ficando abaixo apenas do Metrô e ambas empresas, parecem não se preocupar com as dificuldades de locomoção da população e com a inflação que bateu a porta de todos. Ainda no início de 2021, a companhia de trens queria reajustar o preço da passagem em 25%, passando de R$4,70 para R$5,90, mas só pôde reajustar em 6% fixando tarifa a R$5,00.
Mas, faça assim, coloca a máscara, olha pra câmera, siga as ordens e tudo se resolve.